Português - julho de 2020 (1MC, 1MD)

Matéria: Português
Professora: Nina
Classe(s): 1MC, 1MD
E-mail para enviar: ninaisabel@prof.educacao.sp.gov.br ou ninavazquez2000@yahoo.com.br
Publicação no blogue da escola: (1), (2)

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Data da lição: 13 a 17 de julho de 2020

Plano de aula não presencial
Estadual Rodrigues Alves
Professora: Nina
Disciplina: Português
Classe/Ano/Série(s): 1MC, 1MD
Data: 13 a 17 de julho de 2020
Objetivo da aula: Identificar as informações, implícitas e explícitas no texto; Interpretar e identificar o gênero crônica; Produzir crônica.
Habilidade da aula: Produzir texto escrito (crônica), considerando o gênero textual; Uso dos conhecimentos dos aspectos notacionais (ortografia, pontuação e concordância).
Conteúdo da aula: Compreensão e interpretação de texto e Produção de Crônica.
Roteiro da atividade: Os alunos deverão copiar no caderno, fazer a leitura da crônica e responder as questões. Em seguida produzir uma crônica. Na produção escrita, espera-se que os alunos evidenciem fatos do cotidiano, aspectos de oralidade, uso da linguagem coloquial, marcas de tempo e lugar que mostram fatos do dia a dia, e que escolham um tema adequado.
Informações adicionais sobre a elaboração e entrega das atividades: Enviar a atividade para a professora Nina, via e-mail.
Data de entrega: até 21 de julho de 2020
Local onde o aluno deverá entregar/enviar a atividade: ninaisabel@prof.educacao.sp.gov.br ou ninavazquez2000@yahoo.com.br

Crônica

 A palavra “Crônica” vem do grego, Chrónos, que quer dizer tempo. É um gênero textual muito presente em jornais, revistas, blogs, etc.

Os textos se caracterizam por uma narrativa curta redigida em uma linguagem com predominância coloquial. É um relato de um breve momento do cotidiano de uma ou mais personagens.

A finalidade da crônica é apresentar o fato rápido, quase sempre explora o humor ou ironia. Geralmente não há desfecho, esse fica para o leitor imaginar, e depois tirar suas conclusões.

Vantagem

 O homem vinha contornando a Lagoa Rodrigo de Freitas pensando no banho morno e na cama. Chegava a sentir na pele suada o abraço água do banho; nas costas, a frescura lençol da cama. Dirigia devagar, numa velocidade que dava sonolência, pois não precisa ficar muito atento. Àquela hora, onze e meia da noite, nem precisava prestar muita atenção, o pouco movimento da avenida permitia divagações de um homem cansado. Entrou na sua rua, passou pela padaria ainda aberta, pensou em comprar um sorvete para a sua mulherzinha grávida, mas o cansaço falou mais forte do que o carinho. Chegou ao edifício, guardou o carro na garagem, fechou, entrou no elevador, apertou o botão do quarto andar ah, antecipava os prazeres, abriu a porta do apartamento e sentiu-se apesar de fatigado, feliz. Ouviu a voz da mulher:
                _ Estou aqui, bem.
 Uma mulher nova, linda grávida e sua. A voz da sala de TV. Foi até lá, beijou-a de levezinho nos lábios, olhou o título do livro que ela lia e falou:
__Bom, vou tomar um banho. Estou morto de cansado.
 __Escuta, bem, você não se importa? Eu estava aqui morrendo de desejo, esperando só para isso: vai comprar um sorvete para mim, vai?
 __Ah! Essa não! De jeito nenhum. Deixa para amanhã, bem.  E saiu para não ouvi-la insistir. Abriu o chuveiro, foi tirando a roupa enquanto ouvia o barulho gostoso da água, entrou no banho. ah!
 Mas o prazer completo do banho fora estragado pelo pedido da mulher. __ ele sabia e ainda tentava fingir que não. Outras vezes já dissera à ela que essa história de desejo era invenção de mulher grávida, ela contradizia que ele nunca tinha ficado grávido para saber. Terminou o banho sentindo frustrado. A mulher continuava na sala de TV e de lá vinham soluços espaçados, como suspiros. Ela chorava, constatou com preguiça, coma revolta calma de quem vai ter de ceder para evitar um desgosto maior. Na cabeça, adiou o prazer da cama. A vida de casado é feita de renuncias, pensou. Em vez o pijama vestiu camisa limpa, calça, sem a cueca, justificando-se: é só um pulinho até a padaria, dando-se como compensação aquela pequena ruptura de normas. Calçou chinelo, botou a carteira no bolso de trás, passou pela sala de TV, acariciou rapidamente os cabelos da mulher e saiu. As mulheres grávidas ficam manhosas, pensou gostam de valorizar a barriga. E elas não precisam disso. A gente já vive diminuído com esse poder delas. Consolou-se: só faltam três meses.
 A raiva, a revolta, o quase ódio que sentiu contra ela e a barriga nasceram a pouco mais de cem metros do prédio, na rua deserta, quando um homem louro fedendo a suor, e cerveja apontou um revólver para a sua barriga. __ Passa o dinheiro.
__ Não tenho, não trouxe. Olha aí, saí de casa de chinelos só pra pegar um sorvete na padaria para minha mulher. Eu tenho conta lá. Ela está esperando menino, tá com desejo. Olha saí até molhado.
 O assaltante olhou os cabelos do homem, os pés. No rosto de barba por fazer, a hesitação diante do inesperado. Talvez a cerveja o tornasse mais lento. Decidiu-se:
                __Me dá essa roupa.
 O homem hesitou. No bolso de trás estava a carteira com todo o dinheiro do aluguel. E não sabia o que era pior: a perda do dinheiro ou o ridículo de ficar inteiramente nu no meio da rua, sem cueca.
                   __ Tira logo a roupa, postinha!
                   O revólver não admitia hesitações.
 __ Veadinho, hein? Nem cueca usa. Aguentou calado, humilhado. O assaltante também tirava a roupa, atento, um jeans surrado e encardido que não via água há muito tempo, camiseta do Vasco, e foi vestindo a do homem, sem se descuidar do revolver, calças de butique, camisa de colarinho cheirando a sabonete.  Desprezou os chinelos, enfiou de novo o par de tênis. Lá da esquina começaram a vir sons de vozes, dois homens se retiram ruidosos da padaria. O homem quis gritar por socorro, o assaltante percebeu e apontou a arma para a sua cabeça. Morto e nu, essa não. Procurou ver, aflito, se os homens vinham na sua direção, e quando olhou de novo o bandido já se afastava, correndo. Ia correr nu atrás do homem, arriscando levar um tiro? Gritar, nu, por socorro? Impotente, poupando-se da nova humilhação, enfiou às pressas as calças que o assaltante deixara no chão e correu para o prédio. Pegou direto o elevador, segurando o impulso de esmurrá-lo de raiva, saiu e realizou o desejo de esmurrar batendo na porta do próprio apartamento, gritando o nome da mulher, ansioso por jogar-lhe na cara: viu, a culpa é sua! Ela abriu, surpresa e assustada diante da barulheira insólita àquela hora da noite.
 __ Olha aí, sua idiota, o que foi me arranjar! Me assaltaram!   Explicou exaltado o acontecido, colocando todo o drama da história na perda do dinheiro do aluguel, na impossibilidade de pagar o apartamento.
                       Por sua culpa! A briga ameaçava torna-se definitiva.
 __ Para de gritar como um idiota e tira logo essa imundice do corpo.  O casamento foi salvo quando ele tirou as calças que fora do bandido, só então com tempo para sentir nojo, pegando-as pela barra com dois dedos para jogar no lixo, e do bolso de trás caiu um bolo de notas altas de Reais e de dólares, muito mais do que o dobro de dinheiro do aluguel.
                    Com certeza, produto de outros roubos...

Ângelo, Ivan. O ladrão de sonhos e outras histórias. São Paulo, Ática. 1994.PÁG.22-25. (Série Rosas do Ventos).

Atividade 1 - Entendendo a crônica.

1. Qual o assunto da crônica?

2. Quantos e quais são os personagens?

3. Onde se passa a história?

4. Que tipo de linguagem é utilizado na crônica, Vantagem?

5. Baseado na leitura, o que é crônica?

Atividade 2 - Hora de criar!

Conte um pequeno fato do dia a dia, que aconteceu com você, em um momento qualquer de sua vida. Pode ser um fato familiar, conversa entre amigos ou um acontecimento corriqueiro do cotidiano. Linguagem simples ou coloquial com poucos personagens. Algo que possa provocar no leitor algum tipo de sentimento: tristeza, medo, alegria ou surpresa. 

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